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CADERNOS DE VIAGEM

EUROPA - Irlanda

Kildare

Há cruzes celtas em Cill Cullen, perto de Kildare. Não há indicação de nada. Tem-se de perguntar pelo cemitério de Old Cill Cullen, que fica distante da cidade, na direção de Crookstown.

Uma torre redonda ("round tower") semidestruída fica no meio do cemitério, tendo ao lado duas cruzes do século VIII, talvez. As "round "towers" eram torres parecidas com os silos de fazenda, algumas com cerca de 30 metros de altura, e com telhado de pedra em forma de cone. Foram construídas entre os séculos X e XII. Serviam como torre do sino e para guardar as colheitas e os bens da igreja, no caso de ataque dos viquingues.

Dali fomos a Kildare (Cill Dara ou Igreja do Carvalho). Uma cidade pequena e nada especialmente atraente. Nela está a Catedral de Sta. Brígida, cuja construção se iniciou em madeira no século VI. A construção atual data do século XII. Brígida nasceu no condado de Offaly por volta de 453, filha do régulo Dubhtach e sua amásia Broicseach. Cansado dos ataques de ciúme da mulher, Dubhtach vendeu a amante e sua filha para um druida de Faughart (perto de Dundalk).

Broicseach era cristã e ensinou cristianismo à filha. Dizem que por influência de Brígida, o druida e sua família também se converteram. E ambas ganharam a liberdade, voltando para a casa de Dubhtach.

O pai tentou casar Brígida com um parente deles. Ela se negou e decidiu viver vida religiosa, juntando-se a outras sete jovens para receber o véu das mãos de São MacCaille, de Croghan (condado de Laois), depois bispo e patrono da Ilha de Man.

Estabeleceram-se perto de Ushnagh, condado de Westmeath e dali para Kildare em 480 d.C. Brígida morreu em 523. Dizem que quatro séculos depois suas relíquias foram levadas para Downpatrick, para protegê-las contra os ataques dos viquingues dinamarqueses. A "Vida de Santa Brígida", escrita cerca de 650 pelo monge Cogitosus, afirma que a igreja guarda "os gloriosos corpos de (São) Conleth e (Santa) Brígida".

Um ataque dos dinamarqueses em 835, que chegaram numa frotilha de 30 navios, vindos pelo rio Liffey até onde hoje está Newbridge, arrasou a cidade e a igreja.

Em 868, a rainha Flanna, esposa de Aedh Finliath, rei da Irlanda, mandou reconstruir a catedral. Daí em diante, uma sucessão de saques e reconstruções até a derrota dos dinamarqueses por Brian Boru em 1014. Ainda assim, o fogo reduziu o edifício a cinzas em 1038, 1040, 1071, 1089, 1099, 1103 e 1155.

A igreja era governada por uma abadessa e o bispo subordinado ao sucessor de Brígida. Nela foi batizado em 1132 St. Laurence O'Toole, depois arcebispo de Dublin. Também nela está o jazigo de Walter Wellesley, falecido em 1539 e bispo de Kildare por dez anos. Outro bispo ali enterrado é Ralph de Bristol (1223-1232), inglês, ex-tesoureiro da catedral de São Patrício, em Dublin.

Não só os viquingues eram problema: Em 1135 a abadessa de Kildare foi levada de sua cela por Dermot MacMurrough, rei de Leinster, e forçada a se casar com um dos parentes dele. Cento e setenta pessoas morreram no tumulto que se seguiu a esse episódio.

Esse Dermot foi o mesmo que, derrotado em 1166 pelo rei de Connacht, fugiu para a Inglaterra, onde procurou apoio de Strongbow, o Júnior. Foi o início da era normanda na Irlanda, o único exército que conseguiu dominar a ilha.

Os normandos apoiaram o bispo Finn McGorman a implantar na ilha as decisões do Sínodo de Kells, de 1152, onde um novo sistema diocesano foi introduzido na Irlanda. A abadessa passou a governar apenas a comunidade feminina.

Em 1482 o bispo Edmund Lane realizou reparos de monta na catedral. Em 1564 o bispo Alexander Craik, falecido nesse ano, trocou terras e edifícios da diocese por dízimos, com o objetivo de reforçar o orçamento em dinheiro. William Pilsworth, nomeado bispo em 1604, achou a catedral em ruínas, mas deixou a diocese ainda mais pobre do que quando assumiu.

William Moreton, deão da catedral de Christ Church, em Dublin, foi nomeado bispo de Kildare em 1686. Mas tão pobre estava a diocese que ele foi autorizado a conservar seu cargo de deão. Essa concessão perdurou até 1846, quando a diocese foi incorporada pela de Dublin.Em 1896 a catedral foi finalmente reconstruída.

A família mais importante de Kildare nos anos 1290 era a do lorde William de Vesci. Ele estabeleceu na cidade o Mosteiro Carmelita e construiu o Castelo de Kildare. No século XIII mesmo, essa família perdeu o poder para os Fitzgerald, condes de Kildare e depois duques de Leinster, todos sepultados na catedral.

Ao lado da catedral fica a segunda mais alta "round tower" da Irlanda, com 35 metros de altura e 6 metros de diâmetro na base. Dá para ir ao topo por escadas de madeira em seu interior. Tudo muito apertado. No dia seguinte as pernas doem de tanto que se sobe. Todavia, a visão do alto dela é soberba. Como a Irlanda não é muito montanhosa, se vê longe. Ao fundo da planície de Curragh se vê as montanhas de Wicklow.

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